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"Tirsa" é a nova escultura do Miec

02 Março 2020
Tirsa e a 57a escultura do miec 1 980 2500

OBRA DO ALEMÃO ROBERT SCHAD ESTÁ INSTALADA JUNTO À FÁBRICA DE SANTO THYRSO

A escultura “Tirsa” é uma homenagem de Robert Schad ao nome da cidade de Santo Tirso e é a obra mais recente do acervo do Museu Internacional de Escultura Contemporânea que, a partir de agora, passa a contar com 57 obras ao ar livre. “Quando me desafiaram a instalar uma peça em Santo Tirso, considerei que deveria estar relacionada com a cidade e por isso o nome «Tirsa», justifica Robert Schad, o autor da Cruz Alta de 34 metros do Santuário de Fátima.

Instalada junto à Fábrica de Santo Thyrso, a mais recente obra do Museu Internacional de Escultura Contemporânea chama-se «Tirsa» e é da autoria do artista alemão Robert Schad. A forte estrutura metálica com 4,5 metros de altura e 1,2 metros de largura reflete a inspiração do artista na antiga unidade têxtil e surge em “diálogo” com um dos mais icónicos elementos arquitetónicos da antiga Fábrica de Fiação e Tecidos de Santo Tirso: a chaminé. “Esta escultura não é uma peça de decoração. Através dela, pretende-se criar um ambiente de força e de energia, num momento em que foi apanhada pelo vento e que está, agora, numa postura de observação”, explica Robert Schad. 

“Bailado”

“Tirsa” é composta por linhas que se agregam e fragmentam em conveniências fluídas e erráticas, desenhando percursos marcados por interseções, inflexões, novos caminhos e sentidos que sugerem passagens e momentos, formalizando uma dimensão intemporal. A peça, de forte depuração formal, assume uma métrica coreografada, estruturando uma linguagem que desenvolve um sistema no qual a prática artística é, fundamentalmente, entendida como composição, como se de um bailado se tratasse, assumindo um equilíbrio desafiante e improvável, transmitindo um ritmo intenso que incorpora uma dimensão espiritual, alicerçada em referências patrimoniais e identitárias de grande significado histórico.

Construída em aço corten maciço, a ideia do escultor foi criar “uma perspetiva de leveza”. Para isso, acrescenta Robert Schad, “foi necessário criar uma peça maciça que desse peso à leveza”. Metaforicamente, “Tirsa” aborda o lapso temporal que medeia entre a perceção visual e a conformação da realidade. Um tempo indeterminado, simbólico, que não pode ser medido senão pela sua qualidade.

Esta não é a primeira vez que Robert Schad está representado em Santo Tirso. Em 2017, o Museu Internacional de Escultura Contemporânea acolheu a exposição “Entre o Tempo” da autoria do artista. Galardoado com vários prémios internacionais, Robert Schad conta com um vasto leque de obras em espaços públicos. Uma das mais conhecidas é a magnificente “Cruz Alta”, no Santuário de Fátima. Nascido na Alemanha, desde cedo Robert Schad estabeleceu uma ligação com Portugal, tendo ganho uma bolsa de Estudo do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico para participação profissional na Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1981. No ano seguinte, venceu o prémio de desenho da III Bienal de Arte Contemporânea em Vila Nova de Cerveira, o primeiro de um número vasto, que venceria ao longo da sua carreira, nomeadamente o Prémio Internacional de Desenho Joan Miró, em Barcelona.

O MIEC é composto por 57 esculturas dispersas por seis polos da cidade de Santo Tirso, numa ideia que partiu do escultor já falecido Alberto Carneiro. Atualmente, há 56 escultores nacionais e internacionais pelas ruas de Santo Tirso, desde o artista belga Paul Van Hoeydonck, que tem uma obra sua na lua, até nomes como Pedro Cabrita Reis, Fernanda Fragateiro, Júlio Le Parc, Fernando Casás e Carlos Criz Diez. A 21 de maio de 2016, o MIEC “ganhou” a sua sede, resultado de um projeto que juntou os dois prémios Pritzker portugueses, os arquitetos Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura.

Obra é inspirado num dos mais icónicos elementos arquitetónicoda Fábrica de Santo Thyrso, a chaminé

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