Atelier/Oficina Alberto Carneiro abriu portas em São Mamede do Coronado
ESPAÇO PASSA AGORA A SER UMA EXTENSÃO DO CENTRO DE ARTE ALBERTO CARNEIRO
O Atelier/Oficina Alberto Carneiro, em São Mamede do Coronado, abriu ontem as portas, numa manhã que marcou o início de um novo ciclo de programação do Centro de Arte Alberto Carneiro.
A abertura contou com a presença de representantes dos municípios de Santo Tirso e da Trofa e de instituições culturais e académicas, bem como de artistas, investigadores e agentes culturais, assinalando a concretização de um novo espaço dedicado à preservação, estudo e divulgação da obra e do pensamento de Alberto Carneiro.
A sessão inaugural incluiu também a apresentação de “O jardim está a mudar, o jardim vai mudar na próxima Primavera”, concerto/performance inédito concebido pela artista Joana Gama, que deu início à programação artística do Atelier/Oficina.
A abertura do espaço assume um significado particular por coincidir com a data de nascimento de Alberto Carneiro, que teria celebrado ontem, dia 20 de setembro, o seu 89.º aniversário.
“Abrimos hoje as portas do Atelier/Oficina Alberto Carneiro, um espaço profundamente ligado à vida, ao pensamento e ao processo criativo de um dos maiores nomes da arte contemporânea portuguesa. E não poderia deixar de assinalar esta coincidência tão especial: no dia em que celebramos o seu nascimento, abrimos à comunidade um lugar onde Alberto Carneiro viveu parte essencial do seu percurso criativo, onde pensou, experimentou e criou”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, Alberto Costa.
Para o autarca, a abertura do Atelier/Oficina insere-se numa estratégia municipal de valorização da Cultura enquanto dimensão estruturante do desenvolvimento do território. “A Cultura não é um complemento da governação: é uma parte essencial da vida de uma comunidade e da forma como um território se afirma, se conhece e se projeta no futuro”, sublinhou.
A relação de Santo Tirso com Alberto Carneiro remonta a um percurso iniciado há mais de três décadas e que esteve na génese do atual Museu Internacional de Escultura Contemporânea. Em 1990, o artista lançou a proposta de criação de um projeto continuado em torno da escultura contemporânea e da arte pública, defendendo a realização de simpósios bienais.
A ideia viria a concretizar-se através de sucessivas edições dos Simpósios Internacionais de Escultura, que trouxeram a Santo Tirso artistas portugueses e estrangeiros e contribuíram para a construção de uma relação singular entre arte, espaço público e comunidade.
“Alberto Carneiro não nos deixou apenas obras. Deixou-nos uma visão sobre a relação entre arte, natureza, território e comunidade. Essa visão esteve na génese do MIEC, continuou através do Centro de Arte Alberto Carneiro, e encontra agora um novo espaço para se projetar”, explicou Alberto Costa.
Em 2015, a celebração do protocolo de doação da obra de Alberto Carneiro ao Município abriu uma nova etapa no trabalho de preservação, estudo e divulgação do seu legado, que viria a estar na base da criação do Centro de Arte Alberto Carneiro.
O novo Atelier/Oficina surge agora como prolongamento dessa estrutura e como espaço destinado a acolher diferentes dimensões da atividade artística e cultural, entre residências, investigação, conferências, visitas orientadas e iniciativas de natureza educativa. A programação procurará explorar as relações entre arte, natureza e território que atravessam a obra do artista, promovendo simultaneamente novas experiências de criação e reflexão.
“O Atelier/Oficina que hoje abrimos é um prolongamento da sede do Centro de Arte Alberto Carneiro e aprofunda precisamente essa missão. É uma prova de que a manifestação artística não conhece fronteiras e de que os diferentes núcleos da demonstração física do artista, apesar de territórios distintos, complementam-se, e são acarinhados pela Trofa e por Santo Tirso”, acrescentou o presidente do Município tirsense.
Neste âmbito, estão previstas para 2027 duas residências artísticas no Atelier/Oficina, uma das quais em colaboração com a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, além de iniciativas de caráter educativo e pedagógico. Está igualmente prevista a continuidade da colaboração com instituições externas, nomeadamente com o Museu do Côa, reforçando a projeção do legado de Alberto Carneiro e a sua relação com diferentes territórios e instituições culturais.
A sessão de abertura ficou ainda marcada pela assinatura do contrato de doação da obra “O voo da criança que dorme”, reforçando o acervo do Centro de Arte Alberto Carneiro. Alberto Costa deixou uma palavra de agradecimento à família do artista pela confiança depositada no Município, sublinhando que esta confiança “traz consigo uma responsabilidade que assumimos por inteiro: cuidar, preservar, estudar, divulgar e garantir que este património continua acessível às próximas gerações”.
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