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Centro Interpretativo de Monte Padrão

 

Castro do Monte do Padrão
do Bronze final ao Fim da Idade Média

 

Castro do Monte do Padrão

O castro do Monte do Padrão é uma das principais referências culturais e patrimoniais da comunidade tirsense. A sua presença, de grande destaque na paisagem, imprime uma marca indelével no território que, castroaliada à carga histórica e simbólica que possui, projecta a localidade em toda a região. Carga histórica e simbólica que advém da intrínseca relação existente entre a área arqueológica e uma das principais personalidades históricas da cristandade medieva do Noroeste Peninsular – S. Rosendo – certamente um dos mais ilustres tirsenses. Este vínculo faz com que o imóvel transcenda o seu valor enquanto objecto de ciência, para se projectar como uma referência intemporal do processo de reconquista e povoamento do território que, mais tarde, viria a ser Portugal.

O Monte Padrão situa-se na margem esquerda do rio Ave, na freguesia de Monte Córdova, a poucos quilómetros a Sudeste da cidade de Santo Tirso. Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o castro do Padrão foi escavado pela primeira vez na década de 50 por Carlos Faya Santarém. Em 1986 a Câmara Municipal deu início a um conjunto de acções com o propósito de promover a protecção, estudo e valorização da estação arqueológica.

Os  testemunhos mais antigos remontam ao Bronze Final, período que se encontra identificado estratigraficamente e por conjunto instrumentos liticos  e cerâmicas variadas as quais se destacam as que apresentam uma decoração tipo boquique. Durante a Idade do Ferro as comunidades indígenas edificaram um povoado fortificado do qual sobreviveu um considerável acervo de espólio e abundantes vestígios construtivos, de que se destaca um considerável troço de muralha e várias casas circulares. Na época romana a estrutura do povoado viria a sofrer profundas alterações motivadas por uma intensa ocupação entre os séculos I e IV. Este momento de ocupação conserva um notável conjunto arquitectónico formado por uma área residencial com várias domus, com pátio central lajeado, e outros edifícios de características diversas. Na face Este da plataforma superior encontramos parte de um templo Alto-Medieval e um edifício anexo, que corresponderá à antiga igreja paroquial e mosteiro de Monte Córdova, onde foi também detectada uma necrópole com sepulturas de diferentes tipologias.

Idade do Bronze | A mais antiga ocupação registada no Monte Padrão reporta-se ao Bronze Final, período cronológico a que, genericamente, corresponde o período de formação da “ cultura castreja “. Os vaso_bronzetestemunhos que nos revelam a ocupação do povoado este período consistem num conjunto de cerâmicas datáveis do séc. IX/VII a.C., e nalguns instrumentos líticos, nomeadamente mós de cela, machados de pedra polida e lâminas de sílex. Dos materiais cerâmicos, predominam as taças carenadas, potes de armazenamento de perfis diferenciados, e em menor número, vasos troncocónicos. Devido à exiguidade da área intervencionada, não é ainda possível definir com clareza a área de ocupação da estação para esta época. As cerâmicas com decoração bouquique, tipo Cogotas I, recolhidas abundantemente testemunham, já durante este período, contactos com a área central da península, designadamente a actual estremadura espanhola.

 

 

 

 

 taaIdade do Ferro|No período a que corresponde culturalmente a II Idade do Ferro do Noroeste Peninsular, integra-se a vulgarmente designada “ cultura castreja ”. É durante este período que o castro de Monte Padrão assume maior expressão espacial. Embora actualmente seja apenas visível o face nascente da 1ª linha de muralhas, que circunda e delimita a plataforma superior, as plataformas e taludes existentes denunciam a existência de mais duas linhas de muralhas.

Recentes intervenções arqueológicas efectuadas na plataforma superior, a Norte do complexo romano, puseram a descoberto um complexo conjunto de estruturas de habitações de planta circular que evidenciam diferentes fases construtivas do povoado.A importância da ocupação proto-histórica é atestada pela grande diversidade e abundância de espólio cerâmico, mas também pela existência de vestígios que denotam a prática da actividade de ourivesaria e metalurgia. A grande quantidade de cossoiros, revela-nos a importância que a actividade têxtil, indiciando uma grande apetência pela prática agro-pastoril, a qual parece prolongar-se pelo período romano.Neste período o castro de Monte Padrão integraria um vasto território definido pela serra da Agrela a Oeste, o rio Ave a Norte e o rio Leça e a serra de Valongo a Sul a que corresponderia a unidade gentílicia dos Fiduenae, cujo povoado nuclear seria a Citânia de Sanfins – Paços de Ferreira.

 

 

 

 

 

Romanização | Da ocupação romana são conhecidos vários edifícios que ocupam parcialmente a plataforma superior. O primeiro, localizado a poente, de que se conhece a planta na moedaintegra, corresponde à área residencial do complexo Norte e designa-se por – “ Domus “. Possui planta quadrangular, com pátio central lajeado, à volta do qual se desenvolvem vários compartimentos. Anexo ao corpo principal do edifício, no lado Norte, existe um pequeno conjunto de compartimentos de planta irregular que possivelmente correspondem a uma área de serviços cuja cronologia será posterior à primeira construção. A poucos metros a Sudoeste, localiza-se outro edifício, de maiores dimensões que o anterior, de planta rectangular, com alguns pavimentos lajeados e caleiras de escoamento, cuja configuração nos permite admitir que a sua função tenha sido diversificada, claramente ligada à actividade agro-pastoril. Da escavação efectuada nos anos cinquenta, resultou um numeroso espólio, cuja análise nos sugere uma longa ocupação dos dois edifícios, entre os séculos I e IV. Os outros dois edifícios localizam-se respectivamente na face Este e Sul da plataforma superior e encontram-se em fase de escavação.Em época romana o castro de Monte Padrão, implantado sobre a via romana secundária que ligava o Porto ( Cale ) à via de ligação de Braga ( Bracara Augusta ) a Mérida, em S. João da Ponte, Guimarães, passando por S. Martinho do Campo, onde se conserva uma ponte sobre o rio Vizela, terá conhecido uma amplo desenvolvimento que actualmente é visível devido à grande amplitude espacial  da área ocupada pelos vestígios deste período.

 

Idade Média | A ocupação medieval da estação localiza-se na plataforma superior, a Sul do complexo romano. O primeiro  momento de ocupação deste período corresponde a um templo Alto-Medieval ( séc. XI – placa_esmaltadaXII ) a que se sobrepôs um edifício de cronologia relativamente tardia, contemporâneo de uma extensa e numerosa necrópole medieval que corresponderá à igreja paroquial e ao mosteiro de Monte Córdova.Do numeroso espólio exumado, destaca-se um conjunto de peças metálicas, um tesouro de moedas e ainda um abundante espólio cerâmico, possuindo alguns exemplares decorações figurativas e fitomórficas.Os vestígios medievais correspondem, provavelmente, ao mosteiro mandado edificar alguns anos antes do nascimento de S. Rosendo e que funcionou como Priorado  dependente do Mosteiro de Celanova ( Orense, Galiza ) até ao séc. XVI. D. Manuel I nomeou um comendatário para administrar os bens do mosteiro, extinguindo-se no final do séc. XVI a ligação aos beneditinos de Celanova. A  igreja paroquial terá sido trasladada, segundo nos relata Frei Leão de S. Tomás, no início do séc. XVII.

 

 

 

 

 

Centro Interpretativo do castro do Monte do Padrão 

 

Objecto e Local | Este projecto de arquitectura refere-se à construção de um edifício destinado ao Centro Interpretativo do Monte Padrão a situar no acesso ao Castro localizado na freguesia de Monte Córdova em Santo Tirso.

Programa | Este projecto tem como objectivo a estruturação de um programa com aptidões para o apoio sustentável ás actividades relacionadas com o Castro do Monte Padrão, seja o desenvolvimento disciplinar da Arqueologia no âmbito da gestão do recinto de que as ruínas são o núcleo fundamental, seja a divulgação dessa memória arqueológica junto da comunidade; intervenção que será complementada, em etapas distintas mas igualmente preponderantes, pela requalificando do último tramo do percurso de acesso ao castro que é a extensão final de diversos percursos lúdicos constituintes de uma rota de fruição paisagística de toda a envolvente e que culmina junto da capela do Monte Padrão, agora que a via de acesso que serve este edifício foi já intervencionada.

Considerando o conteúdo programático do edifício de natureza pedagógica e interpretativa, o seu sector nuclear deverá ser o binómio espacial composto pela sala de serviços educativos - apoiada pelos recentes veículos multimédia - e, em interactividade, pelo espaço destinado à exposição permanente. Os restantes módulos funcionais são, a saber, o apoio administrativo definido pela recepção e documentação informal (áreas de átrio, informação e secretariado), sala de restauro, gabinetes de trabalho, área de recolha de materiais e equipamentos, e ainda os serviços sanitários e vestiários, a que deverá juntar-se a área para a colocação das infra-estruturas técnicas do edifício. Uma sala polivalente introduzida no programa, modulada criteriosamente e com uma área útil equilibrada, permitirá que o edifício, se tal se vier a justificar no futuro, possa “crescer” a partir de dentro sem que se torne necessário aditar novas volumetrias, podendo a alteração ser feita sem prejuízo da qualidade espacial e formal do mesmo e com custos mínimos, aumentando-se, assim, a sua longevidade operacional.    

Linguagem | Conceptualmente, a proposta edificada deverá naturalmente resultar das características morfológicas do terreno e ser sensível à acuidade paisagística da envolvente, sobretudo das sua especificidades naturais e construídas, tendo também presente, embora de modo indirecto, os códigos e conteúdos de assentamento do Castro. Assim, e porque o edifício será ele próprio uma plataforma interpretativa dos signos mais representativos do lugar, foi dada especial atenção à sua volumetria e à linguagem arquitectónica que o caracteriza, recorrendo a padrões de composição nítidos, talvez mesmo elementares mas que, de modo significativo, lhe conferem uma autonomia formal que é disciplinarmente defensável e, poderá dizer-se, necessária para a definição de uma intervençãocontemporânea de qualidade.

Como nota final, fazemos apelo para que até ao final do processo de expropriação que está a decorrer, sendo possível, seja salvaguardada a integridade do núcleo arborizado uma vez que a presença foi importantena contextualização formal do projecto e, como tal, tornou-se imprescindível para a implantação do edifício naquele território.                                               

 

   Nuno Magalhães Pinto Arq. ( D.E.P )

 

 

 

 

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