As primeiras manifestações de carácter museológico documentadas em Santo Tirso datam de 1915, momento em que foram expostas, pela primeira vez, no claustro do mosteiro de S.
Bento, espécies arqueológicas recolhidas pelo Padre Joaquim Augusto Fonseca Pedrosa.A ideia de criação de um Museu em Santo Tirso, desenvolvida por um conjunto de personalidades da elite intelectual tirsense, tem origem no início da segunda década do século XX, assumindo, a partir desse momento, uma significativa expressão pública, amplamente registada nos jornais locais.Todavia, não obstante os esforços desenvolvidos, a sua efectiva concretização apenas ocorreu cerca de meio século após a doação da colecção arqueológica do Abade Pedrosa à Câmara Municipal de Santo Tirso. Apesar de as diligências desenvolvidas pela edilidade terem tido início em 1940, com a recepção do espólio do Abade Joaquim Augusto Fonseca Pedrosa. O Museu foi inaugurado e patente ao público em 10 de Março de 1989 com uma exposição permanente de arqueologia, tendo vindo a funcionar, desde esse momento, de forma ininterrupta, tendo-se registado mais de 300 000 visitantes até à data.Em 1997, no âmbito de uma candidatura comunitária ao Subprograma C do PRONORTE, a exposição permanente foi remodelada, tendo sido criados novos espaços expositivos e implementados novos serviços destinados ao público, tais como, os serviços educativos e uma biblioteca especializada em Arqueologia. Em 2000, instalou-se um auditório com capacidade de 72 lugares. Actualmente, a sua estrutura expositiva é constituída por quatro salas dedicadas à exposição permanente, um espaço para a realização de exposições temporárias, uma sala para os serviços educativos, um auditório, uma loja/recepção, uma sala de serviços administrativos, um pequeno laboratório e reservas. A sua actividade incide fundamentalmente em três áreas: a exposição permanente, as exposições temporárias e o auditório. A exposição permanente do Museu é subordinada exclusivamente à Arqueologia, retratando a ocupação da região, desde a Pré-História até à Idade Média. As exposições temporárias subordinam-se a várias temáticas, com destaque para as artes plásticas e a história local. No auditório promovem-se várias actividades de índole cultural relacionadas com as artes do espectáculo e com a divulgação do património cultural concelhio.
O edifício
O Museu Municipal Abade Pedrosa encontra-se instalado no piso superior do edifício conventual do antigo mosteiro de S. Bento, concretamente na antiga hospedaria, cuja construção
ocorreu no triénio compreendido entre 1737 e 1740, no abaciado de D. Plácido de S. Bento. Actualmente o edifício é propriedade da Câmara Municipal de Santo Tirso e integra o conjunto patrimonial designado por Mosteiro de S. Bento, imóvel classificado como Monumento Nacional (Dec. 16/06/1910, DG 136 de 23 de Junho de 1910; Dec. n.º 38 491, DG 230 de 6 de Novembro de 1951 e Dec. n.º 28/82, DR 47 de 26 de Fevereiro de 1982). O mosteiro de S. Bento foi fundado por Dona Unisco Godiniz no ano de 978, e a sua filiação à Ordem Beneditina data de 1092. Actualmente pouco resta do primitivo mosteiro e do seu templo românico. A sua actual traça resulta, em grande medida, das amplas obras realizadas no séc. XVII, dirigidas por Frei João Turriano. O edifício no qual está instalado o Museu apresenta uma planta rectangular, de desenvolvimento longitudinal, seguindo a orientação da igreja matriz, definindo a face este do terreiro, hoje Largo Abade Pedrosa. O edifício, de alvenaria de granito, apresenta os paramentos rebocados com uma argamassa de saibro, pintados a branco, mantendo-se, quer no interior quer no exterior edifício, o granito aparente nos elementos estruturantes do edifício (caixilharias, pilares, fenestrações, entablamento).O alçado da face oeste, de dois pisos, revela a continuidade das portas do primeiro andar com as janelas que lhes correspondem no piso térreo, por meio de painéis de recorte serpentino. As janelas do andar superior, mais trabalhadas que as do rés-do-chão, apresentam frontões vasados e interrompidos, interior e exteriormente delimitados por linhas contracurvadas. O alçado este, mais modesto, apresenta apenas janelas rectangulares, encimadas por frontões trifoliácios, vazados, interrompidas por pilastras rectangulares, que subdividem os alçados em três tramos de dimensão desigual.O topo ocidental possui um frontão, muito realçado, onde se inscreve um monumental brasão da Ordem de S. Bento. Os vãos unem-se à exuberância do enquadramento pelo seu forte vigor impressionista. Simétrica à existente na face este, no lugar da actual porta de entrada do Museu, a enquadrar o brasão, existiu uma outra janela trifoliácia, de igual recorte, destruída entre finais de 1841 e início de 1842, no decurso das obras de adaptação do edifício para Tribunal e Paços do Concelho, das quais também resultou num pequeno acrescento no topo ocidental, cujas características arquitectónicas desvirtuaram a simetria rigorosa da composição original. O piso inferior, adega e celeiro do antigo mosteiro, conserva ainda hoje as suas funções originais. Apresenta uma colunata de pilares rectangulares, equidistantes, implantados no terço oeste da nave, de suporte a uma cobertura de abobada de arestas que, aparentemente, subdividem a área em duas naves, funcionando uma delas, a mais estreita, como acesso ao restante espaço que se mantém amplo. A cobertura do edifício é composta por um telhado de duas águas, em telha cerâmica de meia cana.A entrada do edifício faz-se pelo topo ocidental permitindo o acesso a um espaço intermédio, definido por um pára-vento em madeira e vidro, que acentua a separação do interior do exterior. A partir deste espaço define-se o acesso a uma área de serviços que comporta os sanitários públicos e de serviço, o laboratório e parte das reservas.O interior do edifício estrutura-se a partir de uma ala que percorre longitudinalmente todo o edifício pela face oeste, a partir do qual se estabelece o acesso às diferentes salas, nas quais se encontram instalados os vários serviços do Museu e a exposição permanente.
A colecção arqueológica
O Museu Municipal Abade Pedrosa possui colecções de Arqueologia de grande interesse patrimonial e relevância científica. Os materiais são provenientes de várias estações arqueológicas
do concelho de Santo Tirso e da região envolvente, ora resultado de trabalhos de escavação arqueológica ora de achados fortuitos, cujo contexto arqueológico, em alguns casos, actualmentese desconhece.
Do acervo arqueológico destacam-se os materiais líticos do período Neolítico e Calcolítico provenientes de contextos funerários associados a expressões culturais vinculadas ao fenómeno megalítico; o conjunto de materiais cerâmicos e metálicos provenientes da necrópole do Corvilho, datada do Bronze Médio/Final; o espólio lítico, cerâmico, vítreo, metálico, numismático e osteológico proveniente do Castro do Monte do Padrão, cuja ocupação se desenvolve desde o Bronze Médio/Final ao início do séc. XVII; o espólio lítico, cerâmico, vítreo, metálico e numismático proveniente do castro de Alvarelhos, cuja ocupação aqui representada se desenvolve desde o Bronze Final a meados do séc. V; o espólio cerâmico e vítreo da necrópole galaico-romana de Rorigo Velho e os monumentos epigráficos de S. Bartolomeu e Roriz.No momento da sua abertura ao público, em 10 de Março de 1989, a colecção nuclear do Museu Municipal consistia no conjunto de objectos arqueológicos recolhidos por Joaquim Augusto Fonseca Pedrosa nas últimas décadas do séc. XIX e primeira década do séc. XX que conheceu, em meados do século passado, um significativo aumento com a incorporação do espólio arqueológico resultante das escavações realizadas no castro do Monte do Padrão, Monte Córdova, dirigidas por Carlos Faya Santarém na década de cinquenta.Após a celebração do protocolo de colaboração com a Universidade do Minho, cujo propósito consistia em promover o estudo e a conservação do património arqueológico, móvel e imóvel, do concelho de Santo Tirso, teve início uma nova fase de incremento do acervo museológico com a incorporação de materiais arqueológicos resultantes de trabalhos de prospecção e escavação arqueológica.A criação e implementação do Gabinete Municipal de Arqueologia em estreita articulação com o Museu Municipal permitiu a implementação de projectos monográficos de estudo, salvaguarda e valorização de vários imóveis de grande relevância patrimonial, dos quais se destacam o castro de Alvarelhos e o castro do Monte do Padrão, cuja escavação sistemática proporcionou um significativo espólio arqueológico que integra hoje o acervo do Museu Municipal Abade Pedrosa.